Cassiano Ricardo

Lua
morta

Rua
torta

Tua
porta

Casimiro de Brito

Ontem caminhei
Nos campos de chuva; hoje
chove dentro de mim.

Carlos Queirós

Por tudo o que me deste:
- Inquietação, cuidado,
(um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
- Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão,
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
- Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: - Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

Cecile Corbel - Entendez Vous



C'est une histoire
Du temps passé
Échappée d'un songe
Simple mensonge
Ou vérité
Pour qui veux l'entendre

Auprès d'un chêne
Abandonné
Un enfant repose
Dans un carré de laine
Et l'arbre assoupi
Étends ses branches

" Berce l'enfant
tout contre lui"

   Entendez-vous là-haut
   Cette chanson comme une symphonie
   resteront- elles closes
   Les portes vers le paradis?

L'enfant s'endort
Paupières closes
Si loin de chez lui
Toutes les étoiles du ciel
Vont le veiller ensembles
Du fond de la nuit

"Couvre l'enfant
Manteau d'argent"

Messire le Vent
Je vous en pris
Entendez ma cause
Vous qui soufflez au dehors
Menez l'enfant
Sur le dos de la brise

"Portez l'enfant
Dans son berçeau"


Carlos Poças Falcão

Todos sabemos acender um fósforo
a quem nos pede lume.

Talvez fosse uma conversa
possível até ao fim. Mas o mais vulgar
é ficarmos onde estamos
com o fósforo aceso à beira do rosto

— e antes de haver tempo
a chama queima os dedos.

Carlos Nogueira Pinto

o profeta anuncia os personagens
por ordem alfabética
e vira as ampulhetas o futuro é o último sangue
ainda não derramado

pouparão as muralhas os meus olhos em alvo

por eles me fiz náufrago no dorso das areias
por elas o meu peito aguarda que o resgatem

todo o olhar
é um rio
que brota para dentro e mancha o coração o profeta
é um manto tecedor de oráculos
e nós quem o sustem acima do destino.

Augusto Gil - A Tout Seigneur

No teu pescoço esbelto de morena
Usas, às vezes, um decote em vê.

Essa letra, porém, é tão pequena
Que mal se lê,
Que mostra apenas, dentre o que escondeu,
Uma nesga inestética e minúscula.

Ora um colo como o teu…
Merece letra maiúscula.

A arte naif de Emilio Giunchi





  
  








      A arte de viver em felicidade de uma comunidade de frades. A articulação da fé com o mundo, do espírito com a matéria.

Karan Casey - Beat of My Heart



An gcloiseann tú bualadh mo chroí
Buile mo chroí
Greadadh mo chroí
An gcloiseann tú greadadh mo chroí

Are you hearing the beat of my heart
The pain of my heart
The scrape of my heart
Are you hearing the scrape of my heart

An mbraitheann tú cuisle mo chroí
I dtearmann do lámha
I ngéibheann do ghrá
An mbraitheann tú cuisle mo chroí

Are you feeling the pulse of my heart
In the palm of your hand
In the jail of your love
Are you feeling the pulse of my heart

Tá botún sa tsaol
Nach maithim do Dhia
An ghrian i do shúil
Ag teacht idir mé agus solas an lae
Tá botún sa tsaol

There’s a fault in this world
And I won’t forgive God
The sun in your eye
That comes between me and the light of the sky
There’s a fault in this world

An gcloiseann tú bualadh mo chroí
Buile mo chroí
Briseadh mo chroí
An gcloiseann tú briseadh mo chroí

Are you hearing the beat of my heart
The pain of my heart
The break of my heart
Are you hearing the break of my heart

Tá cóta an athar
Ró-mhór dá mhac
A bhróga caite
Ar chosa mo mhic
Ag bualadh mo chroí
Greadadh mo chroí
Stracadh mo chroí
An mbraitheann tú caitheamh mo chroí

Your old man’s coat
Is too big for you boy
His worn out shoes
On the feet of my son
Kicking my heart
Breaking my heart
A tearing my heart
Are you wearing the tear of my heart

Sioscadh mo chroí
Doirteadh mo chroí,
An gcloiseann tú doirteadh mo chroí
Ciúnas mo chroí
Uaigneas mo chroí
An gcloiseann tú uaigneas mo chroí
Cogar a chroí.

      O dialecto está traduzido na própria canção.

Arménio Vieira

Quando um homem pega numa fruta e a leva à boca
Há sempre um polícia que diz “alto aí!, pois essa é do patrão”
O malefício de algumas víboras é mesmo isso:
Fuzilam-te com o olho direito.

Mas a desgraça não pára aqui:
Sempre que um homem tenta dizer uma certa palavra
Morre enquanto pronuncia a letra A
(uma bomba explode no meio do alfabeto).

E porque não havia de ser assim
Se o mínimo que de uma barata se ouve dizer num parlamento
É que ela vai ser a cantora eleita?

Por isso continuo a jurar que de todos os músicos
Prefiro aquele que se senta ao piano e diz que é surdo.

E quando me dão a escolher entre um cavalo e uma bicicleta
Fecho os olhos e escolho um caracol.
E depois, como não sei que fazer desse animal,
Fico parvo a olhar para ele.

Pois é: um caracol (assim como um soneto)
Será sempre uma máquina estupidamente lenta
No meio d’automóveis que dão tantos à hora.

O olhar de Deus contempla a minha cidade.
Porém, não há estátua que preste na minha cidade.

      Arménio vieira é um poeta de Cabo Verde.

Arlindo Barbeitos

roçando
pelo teu rosto
tombou ao chão
a estrela cadente

guarda-a
é o ouro dos sonhos

      Arlindo Barbeitos é um poeta angolano.

O realismo figurativo de Serge Marshennikov









      É um pintor hiper-realista muito considerado. Serge Marshennikov nasceu em 1971 em Ufa, Bashkiria, ex-URSS. O seu avô era gerente de uma empresa de criação de cavalos, o pai engenheiro electrotécnico e a mãe professora no ensino pré-escolar. Foi, precisamente, a mãe que o incentivou a estudar arte desde a infância, e teve uma sucessão de professores particulares. Os motivos figurativos são repetidos mas o resultado é excelente

Daniel Faria

A sombra da figueira não me lembra a sombra.
Muitas vezes sou o ramo que se quebra
Sem tempestades.

A sombra que tenho na memória é semelhante à tristeza no sangue
E o sangue não me lembra o figo quando escorre
O mel. A mulher estéril vê o homem deitar-se com a escrava

A figueira lança a sua sombra sobre a parede da casa
Branca
A mulher fecha os olhos para ouvir no escuro das folhas
A mulher quase nunca se assemelha ao céu
Sem nuvens

O sangue não ocupa mais o coração do que um filho que nasce
Amulher não queria ser um tronco cheio de ramos

A mulher imagina uma colmeia cheia de favos
Debruça-se à janela como a inclinação dos telhados

Como se os ninhos (como se os filhos ao pescoço) a vergassem.

      Como se escreve assim, Sr. Daniel?

David Gibb and Elly Lucas - The Blacksmith



A blacksmith courted me nine months or better
He fairly won my heart wrote me a letter.
With his hammer in his hand he looked so clever
And if I was with my love I would live forever.

But where is my love gone with his cheeks like roses
And his good black Billycock on decked around with primroses.
I fear the shining sun may burn and scorch his beauty
And if I was with my love I would do my duty.

Strange news is come to town strange news is carried
Strange news flies up and down that my love is married.
I wish them both much joy though they can't hear me
And may God reward him well for the slighting of me.

Don't you remember when you lay beside me
And you said you'd marry me and not deny me. 
If I said I'd marry you, it was only for to try you
So bring your witness love and I'll not deny you.

No, witness have I none save God Almighty
And may he reward you well for the slighting of me.
Her lips grew pale and wan it made a poor heart tremble
To think she loved a one and he proved deceitful.

      Um tema tradicional da folk inglesa, aqui cantado de modo elevado com pequenos desacertos nos versos.

Mikki Senkarik




  
  
  


      Os motivos estão repetidos e dá a ilusão que a pintora americana só sabe pintar assim. Todavia, cada tela é alegre, limpa e sugere perfeição.

António Nobre - O sono do João



O João dorme... (Ó Maria,
Dize àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá, o João, acordar...)
Tem só um palmo de altura
E nem meio de largura:
Para o amigo orangotango
O João seria... um morango!
Podia engoli-lo um leão
Quando nasce! As pombas são
Um poucochinho maiores...
Mas os astros são menores!

O João dorme... Que regalo!
Deixá-lo dormir, deixá-lo!
Calai-vos águas do moinho!
Ó mar! fala mais baixinho...
E tu mãe! e tu, Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá, o João, acordar...

O João dorme, o inocente!
Dorme, dorme, eternamente,
Teu calmo sono profundo!
Não acordes para o mundo,
Pode levar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto é...
Ó mãe! canta-lhe a canção,
Os versos do teu irmão:
«Na vida que a dor povoa,
Há só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir...
Tudo vai sem se sentir.»

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho... até morrer!

E tu vê-lo-ás crescendo
A teu lado (estou vendo
João! que rapaz tão lindo!)
Mas sempre, sempre dormindo...

Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
Do berço onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João... ficarão menores!

Mas para isso, ó Maria!
Dize àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá, o João, acordar...

E os anos irão passando.

Depois, já velhinho, quando
(serás velhinha também)
Perder a cor que, hoje, tem,
Perder as cores vermelhas

E for cheiinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir:
Isto é, deixa de dormir:
Acorda e regressa ao seio
De Deus, que é donde ele veio...

Mas para isso, ó Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:

Não vá, o João, acordar...

António Nobre
Paris, 1891.

      Manuela de Freitas e a arte difícil de bem recitar.

António Maria Lisboa

As formas, as sombras, a luz que descobre a noite
e um pequeno pássaro

e depois longo tempo eu te perdi de vista
meus braços são dois espaços enormes
os meus olhos são duas garrafas de vento

e depois eu te conheço de novo numa rua isolada
minhas pernas são duas árvores floridas
os meus dedos uma plantação de sargaços

a tua figura era ao que me lembro da cor do jardim.

Cristina Crestani













in, Artodyssey


      Não é fácil encontrar informação sobre esta ilustradora italiana. Contudo, algumas das suas aguarelas são um balsamo nos momentos de paragem para descansar. Os motivos envolvem a pessoa humana do circo ao outono, da necessidade de comer ao desejo de voar.  

António Barahona da Fonseca

E se o vento varrer as folhas secas sem deixar nenhuma?

Este Outono ela não guardará folhas dentro dos livros
E ele não escreverá mais poemas a falar da sua morte
E ambos serão obrigados a não sair do Verão, mesmo

no Inverno, à chuva, atrás dos vidros.

António Arnaut

Deixem-me sonhar, à procura
dos sinais ocultos do caminho,
É nas asas do sonho que a loucura
faz o ninho.

Deixem-me ser livre como o vento
sem rumo nem compromisso.
O sonho é o lugar do pensamento
insubmisso.

António Alçada Baptista

Quando o desejo entra, é ele que conduz a situação:
é ele que comanda o sentido das palavras,
o rumo das mãos, o jogo dos gestos.

VOCES8: Underneath the Stars



Go gently.

Underneath the stars I'll meet you
Underneath the stars I'll greet you
There beneath the stars I'll leave you
Before you go of your own free will.

Go gently.

Underneath the stars you met me
Underneath the stars you left me
I wonder if the stars regret me
At least you'll go of your own free will.

Go gently.

Here beneath the stars I'm mending
I'm here beneath the stars not ending
Why on earth am I pretending?
I'm here again, the stars befriending
They come and go of their own free will.

Go gently.

Underneath the stars you met me
And Underneath the stars you left me
I wonder if the stars regret me
I'm sure they'd like me if they only met me
They come and go of their own free will.

Go gently.

      Uma canção de despedida harmonizada de um original de Kate Rusby. O todo é muito belo.

Anrique Paço d'Arcos - Ópio

Se o sofrimento, um dia,
Se mudasse em prazer,
Então eu sofreria
Da dor de não sofrer

Ao ver o sofrimento
Gerar nova alegria,
Ainda em tal momento
Decerto eu sofreria.

      Há um Jó e um Falstaff que morrem com os amigos numa taberna, em cada um de nós.

Ângela Leite - Predestinação

Longe no tempo
um homem lançou
no ventre
de uma mulher, uma semente
e eu nasci para ti.

Longo o caminho
Mais tempo que Jacob
servi Labão para cumprir a vida.
Da carne fiz chão pr'a caminhar
da vontade fiz ponte
para o sonho de ti
que trouxe da semente que me fez.

Chegou ao altar a oferenda
os deuses que cumpram a promessa.
Fechem-se todas as chagas
no abraço azul do teu amor.

      O amor constrói-se ao longo da vida. Esse, assim construído, nunca morre nem nos faz sentir sós.

Andreia C. Faria

Quero partir
saudosa do futuro. Sei que assim crescem
as árvores que deixei sem dizer adeus
Viajar marca na pele
o tempo sem tempo que fica para trás.


      A palavra "gincana" tem origem indiana.

Arthur Hughes - Good night



A tela cujo o titulo é "Boa noite" e que alguns vinculam à morte.

Botanical animation - Story of Flowers


Andrea Paes

Tenho saudades
do tempo em que
o mundo era pequeno.

Era só ali.

E eu cabia nos ramos
das acácias

e não sabia do longe que existia.

só do perto
que sentia.

     Andrea Paes é uma poetisa Moçambicana.

Ana Paula Tavares

Aquela mulher que rasga a noite
com o seu canto de espera
não canta
Abre a boca
e solta os pássaros
que lhe povoam a garganta.

Ana Paula Ribeiro Tavares

O meu amado chega e enquanto despe as sandálias de couro
marca com o seu perfume as fronteiras do meu quarto.
Solta a mão e cria barcos sem rumo no meu corpo.
Planta árvores de seiva e folhas.
Dorme sobre o cansaço
embalado pelo momento breve da esperança.
Traz-me laranjas. Divide comigo os intervalos da vida.
Depois parte.
Deixa perdidas como um sonho as belas sandálias de couro.

Lilly Tchiumba - Songs of My People, 1975




      Lilly Tchiumba sings, with her powerful voice, Angola traditional songs. Some of them, like "Mona Ki N'Gui Xissa" and "Luanda M'Bolo", you can also find in Bonga's "Angola 72". From this interpreter, I recommend "Angola 74" too.

      Lilly sings in her native language - Kimbundo - but this is far from an obstacle for appreciating her interpretation. I'm copying below the short descriptions that are on the back side of the LP. The song's titles are translated too. Think these stretch can be illuminate information about the songs.

1.N'Zambi. "N'Zambi is God".  "A mother is torn between her reverence for God and her helplessness to save her sick child"

2.Mona Ki N'Gui Xissa. "The Daughter That I Leave Behind". "Before dying, a father asks his friends to take care of his daughter and to teach her how to work for the people"

3.N'Gongo Giami. "My Anguish". "The young man is dying but he knows not why: he asks his mother why this must be"

4.Manazinha. "A beautiful woman, however much she is dressed in luxury, is still the victim of the colonialists."

5.Dilagi Bu Kanga. "Medicine Men". "When the medicine men are on the loose you have to take the women and children into the house, close the doors and windows and stay at home."

6.Muato Mua N'Gola: "Women of Angola". "All women of Angola should be respected no matter what their condition or social standing and they have the right to fight for their position in society".

7.Madie Dia Muxima. "Madonna of the Fields". "A contract labore ris heard to say: "I heard your message through a vision. We will never allow our ideals to be changed by strangers. I know that our little farm is no more but we will return and cultivate our land and we will be sustained by it".

8.Monami. "My Son". "Singing a lullaby to her dead baby, the mother asks why God took one of her two children -- she being so good and devout."

9.Kubata Dia Rosinha. "Rose's House". "In Roses's house, there were Always big parties; the bongo drums played until dawn. Their rhythm was so strong that the mice would come out of their holes to dance."

10.Luanda M'Bolo. "The Bread of Luanda". "The bread we earn with such sweat -- digging the soil, shoe-shining, cultivating coffee and cotton -- bread that is not for us but that is made from our sweat."

11.Gienda Dia Luanda. "Nostalgia for Luanda". "At night I remember the palm huts, the sound of the sea, the mermaids, the children, my friends -- I want to return. I want to return in a canoe -- to stay, but I cannot because I have to bring our music to the rest of the world."

Ana Paula Tavares

Trouxe as flores
Não são todas brancas, mãe
Mas são as flores frescas da manhã
Abriram ontem
E toda a noite as guardei
Enquanto coava o mel
E tecia o vestido
Não é branco, mãe
Mas serve à mesa do sacrifício
Trouxe a tacula
Antiga do tempo da avó
Não é espessa, mãe
Mas cobre o corpo
Trouxe as velas
De cera e asas
Não são puras, mãe
Mas podem arder toda a noite
Trouxe o canto
Não é claro, mãe
Mas tem os pássaros certos
Para seguir a queda dos dias
Entre o meu tempo e o teu.

in, Dizes-me coisas amargas como os frutos.

      A vontade de participar com a participação possível.

Ana Paula Ribeiro Tavares

De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó

Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado

De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias

Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado.

      Poetisa angolana. Angola, lugar onde da prometida esperança, década a década se desespera. 

Art nouveau











      A Art Nouveau ou Arte Nova surgiu no final do século XIX na Bélgica e vigorou entre 1880 e 1920, aproximadamente. Existia o desejo de buscar um estilo que reflectisse e acompanhasse as inovações da sociedade industrial, pondo de lado a inspiração que vigorava desde o século XV, e as fórmulas baseadas no Renascimento. Tinha como tónica a originalidade, a qualidade e o regresso ao artesanato.

O mais cruel em nós



      Em 20 anos tu casaste, tiveste dois filhos, nunca foste feliz. Eu corri o mundo, tive vários trabalhos, encontrei uma vocação, escolhi o meu lugar, vivi em três países diferentes, viajei para sítios impossíveis, conheci pessoas, conheci-me a mim, apaixonei-me, partiram-me o coração, sobrevivi, experimentei, desisti, retomei o caminho, mantive-me fiel a mim, berrei, fui chata, dei murros na mesa, fugi, mudei e vida, voltei, perdi rotinas, ganhei outras... vivi, mas também nunca fui realmente feliz. Hoje soube que ainda me vês como modelo... ou meta. Hoje soube que descruzar-nos te partiu o coração e que não o conseguiste reconstruir. Apesar do casamento. E dos filhos. E da vida que te roubou a alma. Hoje tive pena. E senti culpa. Culpa de não te ter obrigado a pisar-me os passos. Culpa de tentar descobrir o mundo sem o teu regaço. Culpa de ter ousado viver sem ti. Culpa de o ter conseguido fazer. Culpa de ter contribuído para que nenhum de nós tivesse realmente encontrado o seu lugar. O tempo fica mais curto todos os dias. Chama-me e eu vou. Mas chama-me primeiro.

in, Queres antes aprender a voar?

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